Arquibrasil's Blog


ARQUITETURA ECLÉTICA

Uso ou mistura de estilos do passado ocorrido na segunda metade do século XIX.

Em fins do século é que parece termos atingido realmente a chamada era moderna, que os historiadores afirmam ter começado desde o século XV durante o período da Renascença e após a descoberta da América por Colombo em 1492. A tão discutida era moderna realmente deflagrou quando a Revolução Francesa de 1789 pôs fim a tantos pressupostos que haviam sido tomados por verdadeiros até então.
Dentre as inúmeras mudanças ocorridas, estão as que se referem ás idéias do homem sobre a arte e á atitude do artista em relação ao que se chama estilo. Em épocas passadas os artistas faziam suas obras de acordo com o que achavam certo ou porque tinham que ser assim, não questionavam se seguiam alguma tendência, acreditavam que suas obras eram praticadas ao seu gosto pessoal, sem influências externas ou algum compromisso estético pré-estabelecido.
Já no século XIX, a questão estilo tomou novo rumo. Procurava-se ora seguir o ideal de regras da arquitetura clássica estabelecido nos livros de Palladio, ora questionar o uso desse ideal e empenhar uma volta romântica ao passado através de construções neo-góticas ou de inspiração oriental. Alguns arquitetos procuravam seguir influências de diversos estilos em uma única construção, utilizando influências do Barroco, Arte Oriental, Clássico e também dos recém surgidos Art Deco e Art Noveau.
O mundo ocidental caminhava para um futuro diferente a passos rápidos, mas algumas pessoas acreditavam não ser preciso pensar nisso seriamente e olhar a arquitetura como resultado das necessidades e do modo de vida do homem daquele momento. Construíam prédios com tecnologia sofisticada da época, atendendo por vezes as necessidades funcionais que já se impunham, mas traziam um passado estranho aquela realidade para revestir suas fachadas.
A arquitetura Eclética tem para a história grande valor porque relata esses momentos de profundos paradoxos na vida do homem moderno. A casa urbana brasileira, uma tipologia de construção nova para a época. Acontecia um crescimento rápido de muitas cidades brasileiras, de maneira que no início do séc. XX, a casa passa a ter sua fachada principal alinhada à testada do lote, ganha um acesso e varanda laterais e comumente é geminada com sua vizinha. Os portões e gradis são de ferro e essa casa pode receber ainda uma profusão de influências de períodos distintos do passado.

A presença do porão é comum na época. Balaustrada na platibanda e cornija logo abaixo, clássicas. Padieira em forma de cornija acima das janelas também é clássica, mas o elemento ornamental rebuscado quebra a formalidade comum ao clássico. Os caixilhos das janelas e a cor da casa denotam a presença do Art Deco. Esse Ecletismo, mesmo que discreto, acompanha a arquitetura brasileira até a década de trinta do séc. XX.

O uso de cores fortes é uma influência da proposta contemporânea do Art Deco, que por usa vez ganhava inspiração no uso de cores mais agressivas do movimento fovista da pintura moderna. Os gradis de ferro são presença quase obrigatória nos prédios da época.


Presença de platibanda em concreto com desenhos geométricos imitando os que eram produzidos nos gradis de ferro tão em moda, traços do Art Deco. Acima das janelas surge uma surpreendente padieira ornamentada com a famosa concha do Barroco e Rococó. Estilos, histórias, memórias e épocas que se misturam e incrivelmente se fundem, aqui, no ecletismo.


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